sábado, 3 de outubro de 2015

Orvalhar

Em um ser sem finito
um olhar escondido
um pensar constrangido
e você.

O corpo enquadrado
em seus vasos estourados,
um dia enlaçados
a outro ser.

E perdido, pedido fugido
cultivou o sonho sofrido
desapareceu com o orvalho a derreter

Ah, que pena te ver orvalhar

Ah criança querida
será que um dia
irá acordar?

(Amanda Girão, Ama, 2015)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Vida

Acordo e é noite,
enquanto dormia,
escureci com o dia.
Esqueci da vida, mergulhei no sonho,
mas despertei para o que havia.

Havia o real e o encarei:
ele se foi efêmero, mutante,
em dias a fio, despedacei
e montei a vida errante.

Senti meus laços em sentimentos
dos que se dizem meus semelhantes.
Rompi tratados incongruentes
do que eu seria adiante.

Depois me perdi em mim de novo
e agarrei no olhar a morte,
procurei nela socorro.
Escura, ela disse: boa sorte.

 (Amanda Girão, algum momento de 2009)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Boa noite e até nunca! Deixei no teu jornal matinal (ao lado do cinzeiro e da caixa de cigarros), na seção obituário, sorrisos frios, uns olhares. E parti. Adeus! eu disse quando te conheci.

(Ama)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Versos Antigos 2

A verdade pura sorri
Na maldade que irá causar
Os olhos inocentes já não brilham
Medrosos, escondidos a gritar.
(Ama)

Antigos Versos


Para a noite condenada caminho
Por quantos mais dias se forem
Saberá alguém dos pesadelos vividos
Na vida que parece sempre flores?

(Ama)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Who am I?

Can you see that rain running?
Can you see the rain floating?
It goes from right to left
It sweeps and fade away

who am I?

Oh you see the light jumping ?
In the middle of the dancing rain
Can you see the rain lonely?
It's just a normal day.

who am I?

Could you see the rain fading?
Just as me in this heavy night
I wish I were a drop of rain
To splash on floor and say goodbye.

I am just another day.

(Ama)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Pra lá

Tive uma angustia
angustiada contigo
Sendo bem mais, falei-te como amigo
Sendo bem menos, foi como meu amor.

Tive um desespero.
Desesperada, te procurei calmamente.
E conformada, voltei latente.
Pra lá ficou o que te contei.

Entre sorrisos, tive uma lágrima,
Te contei, sem esperança.
Chegou atrasado, com lembranças e desculpas.
E saí pra lá, cheia de culpas

"Deixei pra lá" pensei,
"Deixou pra lá" achei.
Mas nunca esse "lá" encontrei.

Cansada, tive um dia,
Muitos silêncios e nenhuma partida,
Mas memórias irreversíveis! Eu poderia...
E minha palavra já foi, muito tardia.

Tenho uma solidão.
O teu falar repetido. Acabou.
Minh' alma cansada. Sem visão.

- adeus amor, pra lá eu vou.