terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ei noite

Desanimada, cansada, sozinha:
Caminhava.
Abandonada cuspiu na vida,
Latejava.

Cansada, respira com calma:
Morria.
Ansiedade, insônia, sofria:
Inquietada.

Amada rasteja suas dores:
Vazias.
Aquela que tudo já fostes:
Ardia.

Um passo, um esforço em vão. 
Calada rasteja no chão.

Quem fostes? Importa tão pouco.
Te trouxe um ar de louco.

Visão que embaça na noite,
Nas noites que embaçam 
A vida.

Nas noites que some
A vida.

Nas noites que morre
A vida.

Nas noites já eras
Partida.

(Amanda Girão/Ama)


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Menininha

A menina com seus
Ima-gi-ná-ri-os .
Um quê de ingênua ,
Um tanto de saber .

A menina com seus
O-bi-tu-á-ri-os .
Garotinha, tadinha,
Não sabe crescer. 

Um sorriso inocente 
E esperança imbecil ,
A menina viu 
O seu decadente 

Um pingo de gente 
Inteiro no corpo. 
A menina partiu 
A menina vil.

(Amanda Girão, Ama, 2015)

sábado, 3 de outubro de 2015

Orvalhar

Em um ser sem finito
um olhar escondido
um pensar constrangido
e você.

O corpo enquadrado
em seus vasos estourados,
um dia enlaçados
a outro ser.

E perdido, pedido fugido
cultivou o sonho sofrido
desapareceu com o orvalho a derreter

Ah, que pena te ver orvalhar

Ah criança querida
será que um dia
irá acordar?

(Amanda Girão, Ama, 2015)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Vida

Acordo e é noite,
enquanto dormia,
escureci com o dia.
Esqueci da vida, mergulhei no sonho,
mas despertei para o que havia.

Havia o real e o encarei:
ele se foi efêmero, mutante,
em dias a fio, despedacei
e montei a vida errante.

Senti meus laços em sentimentos
dos que se dizem meus semelhantes.
Rompi tratados incongruentes
do que eu seria adiante.

Depois me perdi em mim de novo
e agarrei no olhar a morte,
procurei nela socorro.
Escura, ela disse: boa sorte.

 (Amanda Girão, algum momento de 2009)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Boa noite e até nunca! Deixei no teu jornal matinal (ao lado do cinzeiro e da caixa de cigarros), na seção obituário, sorrisos frios, uns olhares. E parti. Adeus! eu disse quando te conheci.

(Ama)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Versos Antigos 2

A verdade pura sorri
Na maldade que irá causar
Os olhos inocentes já não brilham
Medrosos, escondidos a gritar.
(Ama)

Antigos Versos


Para a noite condenada caminho
Por quantos mais dias se forem
Saberá alguém dos pesadelos vividos
Na vida que parece sempre flores?

(Ama)